Quem já visitou Portos ou já fez um cruzeiro de navio, com certeza na saída da embarcação do Porto percebeu que um pequeno barco vai acompanhando o navio por um longo trecho!

Você sabia que para estacionar um navio em qualquer costa do mundo é preciso ter habilitação específica para este serviço? Apesar de toda autoridade embutida em um capitão ou comandante, como também é chamado o responsável pela embarcação, quando ela se aproxima do porto de destino, a autoridade passa a ser de outro profissional: o prático.

Com função pouco conhecida entre a população, o prático, além de realizar manobras nos grandes navios, tanto de carga quanto os que transportam pessoas em cruzeiros, também é o profissional responsável por fiscalizar qualquer tipo de irregularidade nas embarcações, podendo, inclusive, solicitar reforço na Capitania dos Portos para impedir o seu atracamento.

No mundo, um dos casos mais emblemáticos envolvendo manobras de navios de grande porte ocorreu em 2012, com o Costa Concordia, navio que levava 4.200 pessoas em um cruzeiro. Após a mudança de rota da embarcação em direção à ilha de Giglio, na Itália, o navio de grande porte se chocou com pedras submersas, virando posteriormente. Trinta e duas pessoas morreram no acidente.

De acordo com o presidente do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), Ricardo Falcão, a profissão existe em todos os portos do mundo e funciona basicamente da mesma maneira. “É um profissional que tem capacidade de decisão em nome do estado para preservar o meio ambiente, a vida das pessoas abordo através de determinado ponto do mar, definido pela Marinha, além de realizar as manobras nos portos”, explica Falcão, que também é vice-presidente da International Maritime Pilots’ Association – IMPA.

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É o prático o primeiro a ter contato com o navio, antes mesmo de chegar ao porto. É ele quem observa se há algum tipo de irregularidade em relação a embarcação ou aos passageiros, funções importantes para identificação de clandestinos a bordo, de emissão de poluição ou qualquer outra anormalidade que por ventura esteja ocorrendo na embarcação.

“Em mais de 15 anos de experiência nunca vi o comandante de um navio denunciar algum tipo de problema. Ele é um funcionário vinculado a empresa responsável pela embarcação, ao contrário do prático é que um profissional liberal que atual com o consentimento e avaliação da Marinha do Brasil”.

Outro ponto de discussão entre estes profissionais e as empresas armadoras de cruzeiros e transportes de cargas diz respeito aos salários. Os números não são divulgados, mas as empresas reclamam dos altos valores, segundo eles cobrados pelos profissionais. Estima-se que um “Prático” no Brasil tem um salário em torno de R$ 100 mil reais.

Para ser prático no Brasil é exigido nível superior em qualquer área e ter, no mínimo, licença para conduzir embarcações pequenas na categoria mestre amador. Também é necessário passar por uma prova escrita, realizada pela Marinha e, posteriormente, por uma prova prática com a utilização de um simulador de manobras. Caso o candidato tenha licenças mais altas do que a mínima exigida pela Marinha para participar da capacitação para o trabalho, acumula pontos que são acrescentados no final das avaliações.

 

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