Principais contextos globais

Onde estamos?

Trauma pandêmico

Talvez já tenhamos nos habituado ao termo “pandemia” e esquecido o quão impactante um evento como este é para uma sociedade, por isso vale lembrar: não é uma doença pontual, nem sequer uma epidemia, é uma pandemia. Isto significa que todos os continentes são afetados simultaneamente, e diferenças culturais chegam a perder alguma relevância em um momento como este, uma vez que todos estão vulneráveis ao contágio. Sentimentos de medo, insegurança, luto e indignação se sobressaem em todos os cantos do mundo, transformando a mentalidade coletiva e direcionando a população para um momento mais retraído. Ao mesmo tempo, as medidas de segurança e o distanciamento social foram o empurrãozinho que faltava para oficializar a chegada da era digital da civilização. Embora não saibamos ainda quando ou como, em algum momento a pandemia da COVID-19 chegará ao seu fim, deixando conosco apenas as marcas de sua história.

Crise econômica

Embora este acontecimento não seja originado pela pandemia, foi definitivamente agravado por ela. Fomos de eventuais incertezas financeiras a um grande (e rápido) crescimento das taxas de desemprego e inflação. Os negócios que dependem de espaços físicos e encontros presenciais entre pessoas foram os mais afetados, e mesmo os outros, que podem funcionar digitalmente, levaram um tempo para se adaptar ou se reinventar. Um efeito dominó se alastrou pelo mundo e no momento, além de termos a maioria dos governos lutando para controlar o vírus, também temos um esforço geral para que nos reergamos economicamente.

Crise política e polarizações ideológicas

Se repararmos na história da civilização, é comum que com grandes revoluções tecnológicas, especialmente quando vinculadas à comunicação, haja em seguida um período de relações sensíveis entre países e interesses políticos (internos e externos). Não diferente, com a popularização da internet, em poucos anos se desdobrou um momento de humores inflados e polarizações ideológicas. Isto impacta diretamente a vida cotidiana da população, que passa a experienciar ambientes hostis e relacionamentos mais frágeis com maior frequência, aumentando também os índices de problemas como disseminação de notícias falsas, violência, discriminação, patologias mentais, entre outros. As disputas políticas também ficam mais acirradas, havendo uma tendência à ascensão de governos com regimes autoritários, o que também pode agravar tais problemas.

Crise ambiental

Os últimos desastres climáticos, como as grandes queimadas, os recordes de temperaturas altas e a crise hídrica, por exemplo, tem chocando pessoas por todo o globo. Embora os alertas por especialistas não sejam recentes, sabemos que muito do que estamos vivendo agora deriva da exploração excessiva e despreocupada da sociedade sobre os recursos naturais. A previsão é de que, se continuarmos neste ritmo, o planeta esteja 1,5°C mais quente até o final do século, o que prejudicará a saúde da população e o acesso a diversos recursos, como água e alimentos, uma vez que isto afeta diretamente a fauna, a flora e, consequentemente, rios e lavouras. Sendo o Efeito Estufa um dos fenômenos que mais corroboram com este cenário, governos e organizações por todo o mundo passam a discutir sobre a implementação de programas e novas legislações para reduzir, significativamente, a emissão de carbono até meados de 2030.

Conectividade sem limites (mas com regras)

O distanciamento social trouxe uma rápida e massiva adoção digital por parte de todos os públicos, mesmo os tipos mais afastados deste universo até então. Já adaptadas e agora desfrutando de todas as vantagens do formato remoto, as pessoas se habituaram a ele e agora já esperam poder solucionar suas necessidades cotidianas desta forma – o que irá permanecer mesmo após a pandemia. Estes recursos se tornam, a partir de então, essenciais para o funcionamento da sociedade, modificando estruturas tradicionais de áreas como educação, trabalho, comunicação e mercado. Com grandes mudanças, porém, vem novas (grandes) responsabilidades: aumentam os problemas relacionados a privacidade de dados e informações em geral, e por isso, novas legislações (como a LGPD no Brasil) são implementadas para proteger a população.

Saúde mental: a próxima pandemia

Se no último século a humanidade já dava seus indícios de caminhar para o esgotamento por excessos de trabalho e de estresse em geral, agora parece que começou a se aproximar do seu destino. Novas tecnologias, novas mentalidades, e uma nova maneira de funcionar chegam com tudo, em uma velocidade um tanto difícil de se processar. E a pandemia dá a “cartada final”, aguçando medo, luto, solidão e instabilidade financeira. Com tantas informações e preocupações, a sobrecarga emocional da população vai às alturas, criando um efeito dominó de distúrbios psicológicos e complicando as relações pessoais. Por este motivo, é muito provável que após a pandemia do coronavírus, a saúde mental seja um dos principais assuntos discutidos (e investigados) na sociedade.