Meus pais sempre me ensinaram que ficar prestando atenção na conversa de terceiros é falta de educação e no mínimo deselegante. Mas dentro do avião, naqueles minutos que se aguarda a aeronave decolar, é muito difícil não escutar o que outros estão dizendo e conversando. Às vezes pego um livro que sempre levo na mochila ou folheio a revista de bordo na expectativa de quem sabe surja uma conversa interessante, uma oportunidade de negócios. Já pensei em escrever as conversas parciais que ouvi, daria com certeza um livro, talvez peças de teatro. Escutei conversas pessoais, empresariais, políticas, conversas divertidas, conversas sérias, de lamento, infinitas e que fico a imaginar como é que elas se desdobraram.

Uso este espaço para relatar duas dessas conversas ouvidas recentemente e que acredito que traz uma porção de dicas, mas que deixo para cada um analisar e decidir o que isto está relacionado com o nosso dia a dia.

Rapaz ao celular –

“- Cara, se a gente não fizer do jeito que ele pediu, vamos ter um prejuízo muito grande, estou preocupado”.

A outra pessoa fala algo.

Rapaz responde:

 

“- Eu sei que o Cara é chato, mas o que você quer que eu faça? Simplesmente eu o mande a M? Não dá. Veja o tamanho do contrato dele. Nós temos que resolver a situação aí dentro. Ele só quer receber o que comprou.”

A outra pessoa responde mais alguma coisa.

Rapaz fala:

“- Eu sei que nesta semana tem dia dos Namorados e jogo do Brasil na Copa, mas é melhor perder um jogo do que perder este contrato, você não acha? ”

A outra pessoa contra argumenta.

O viajante ao meu lado diz:

 “- Daqui uma hora e meia estarei na empresa, chame a equipe toda para a gente resolver esta pendenga. Pode dizer que se precisar vamos trabalhar no final de semana. Podem se preparar. Até daqui a pouco. ”

 Confesso que fiquei com uma vontade enorme de perguntar qual era o problema, qual era a empresa, se tinha algo que eu pudesse recomendar, mas não deu tempo. Ele fez uma segunda ligação.

“- Olá fulano tudo bem? ”

A pessoa do outro lado comenta algo.

Rapaz pergunta:

“- O que está acontecendo com o nosso time do coração? ”

Outro responde alguma coisa.

Rapaz fala:

“- Estou retornando a sua ligação. O que está acontecendo? ”

A pessoa diz mais algumas palavras.

Rapaz responde:

“- Não sei o que aconteceu. Isto é um fato novo para mim. Eu mesmo solicitei que enviassem a lista de preços e orçamento, há quinze dias. Deve ter ocorrido alguma coisa com o e-mail, com a internet. Mas deixa comigo. Assim que chegar à empresa vou verificar e te dou um retorno OK? ”

A outra pessoa fala algo:

Rapaz diz novamente:

“- Fique tranquilo, vou ver o que aconteceu e te dou um retorno ainda hoje, até mais. ”

O rapaz desligou o telefone, abriu automaticamente a revista de bordo numa página qualquer. Sem querer eu observei que era a página que dizia SEBRAE especialistas em pequenos negócios. Ele fechou a revista encostou a cabeça ao lado da janela do avião e fechou os olhos.

Eu fiquei pensando sobre: Respeito aos clientes, a relação dos sócios, a equipe da empresa, a organização do fluxo de materiais, pessoas e informações; aprazamento, cumprimento aos contratos, relações interpessoais e assim por diante. Mas como não sou de ferro, reclinei minha poltrona e cochilei.

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