Uma inesperada queda nas importações da China mostra que a maior economia da Ásia ainda está perdendo força apesar de uma série de medidas de estímulo, embora as movimentações globais de preços e o impacto de feriados possam ter exagerado a extensão do recuo.

As importações em janeiro caíram 20 por cento ante o ano anterior, maior recuo desde maio de 2009, quando as fábricas reduziram os estoques em reação à crise financeira global. As exportações recuaram 3,3 por cento.

A forte queda nos volumes de importação, liderada por commodities, sugere que a China está desacelerando a um ritmo ainda mais rápido do que muitos imaginaram, mesmo após um corte da taxa de juros em novembro e medidas para elevar a liquidez e encorajar bancos a emprestar.

Dados preliminares mostraram que as encomendas de carvão caíram quase 40 por cento, para 16,78 milhões de toneladas, ante 27,22 milhões de toneladas em dezembro.

Fatores como a mudança da época do feriado do Ano Novo chinês, queda dos preços globais de commodities e moedas mais fracas em importantes exportadores também dificultam o acompanhamento de tendências estruturais de um mês para o outro.

Os dados de janeiro ainda mostraram enfraquecimento da demanda doméstica e do setor industrial, e os mercados esperam que autoridades de Pequim recorram a mais medidas de afrouxamento em resposta.

A balança comercial brasileira com a China começou o ano com uma forte queda nas exportações (-38,27%) e um preocupante déficit de US$ 2,359 bilhões, superior em 29,11% ao saldo negativo de US$ 1,827 bilhão registrado em janeiro de 2014. As exportações chinesas para o Brasil também se retraíram (-7,54%) para US$ 3,703 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC)

Os números de janeiro não permitem fazer uma projeção para todo o ano de 2015, mas já existe quem aposte em que este ano o Brasil poderá ter um saldo negativo no intercâmbio com a China, o primeiro desde 2008.

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A queda deveu-se a dois fatores conjugados: retração na quantidade, que passou de 13,6 milhões de toneladas para pouco mais de 9,6 milhões de toneladas em janeiro passado, provocada pela diminuição no ritmo de crescimento da economia chinesa e uma queda acentuada nos preços do minério de ferro nos mercados internacionais.

Retrações importantes foram registradas nas exportações de minério de ferro, pasta química de madeira e de açúcar de cana.

O ano mal começou, mas já existe quem aposte em que o Brasil terá grandes dificuldades para repetir este ano o desempenho alcançado ano passado no comércio bilateral com os chineses. Além da forte queda registrada nos preços internacionais do petróleo e do minério de ferro, a balança comercial será afetada pela redução na cotação da soja e de outros produtos do agronegócio.

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