Temos um referencial, digamos, mais negativo do que positivo… a partir da metade do primeiro semestre as vendas despencaram na maioria dos segmentos… e existem explicações técnicas para isso.

Segundo Otaviano Canuto, assessor sênior do Banco Mundial para economias em desenvolvimento, algumas das questões que definiram nossa atual economia foram:

A eficiência do gasto público:

Esta eficiência é medida na sua relação com o PIB – Produto Interno Bruto¹.

Os gastos públicos continuam a crescer e atinge um nível muito alto quando comparado a Singapura cuja economia fora tomada com referência de eficiência nas áreas de educação e saúde. Nessa comparação os gastos públicos brasileiros deveriam ser reajustados para baixo em 4,2%.

A principal implicação dos gastos públicos em relação a classe empresária é que para supri-lo, o governo aumenta sua arrecadação em impostos, e quem paga é o empresário!

¹PIB = O produto interno bruto é a soma de valores de todos os bens e serviços finais produzidos num período. É medido pela soma do consumo final, com isso, vendas não destinadas ao consumo final não são computadas.

 

O Bolsa Família:
Criada ainda no Governo FHC, o bolsa família tem um impacto inexpressivo em relação ao PIB, representando tão somente 0,5%, porém, tem uma grande eficácia em relação a economia brasileira, pois, propiciou aumento do consumo, com isso, as indústrias produziram mais e o comércio e serviço vendeu mais. Eis um resultado positivo!
As commodities²:
Nosso país é um dos grandes produtores mundiais de derivados agrícolas no qual viu uma grande ascensão nos últimos anos, isso proporcionou uma maior distribuição da riqueza, diferente de outros itens das commodities, como por exemplo o petróleo ou os minérios, itens cuja riqueza ficam extremamente concentrados e pouco influenciam na economia das empresas de varejo.

Essa ascensão criou uma grande dinâmica de consumo no interior do país, mas, isso já é passado!

²Commodities = são habitualmente substâncias extraídas da terra e que mantém até certo ponto um preço universal.

 

A evolução dos salários:
Os salários evoluíram numa proporção de 868% entre os meses de setembro de 1994 até 2013, enquanto que a cesta básica evoluiu 276%. Esse aumento dos salários teve que ser absorvido pelas empresas e não repassado ao mercado.

Eis os impactos mencionados por Otaviano:

No setor comercial e industrial, com as indústrias brasileiras enfrentando a concorrência externa, não podia repassar seus custos aos preços de vendas, do contrário perderiam sua competitividade, o resultado foi a “compressão monstruosa na margem de lucro”, segundo Otaviano.

No setor de commodities os salários foram suportados porque os preços internacionais também cresciam.

No setor de serviços a coisa foi mais tranquila quanto a possibilidade do repasse, no entanto, os preços de serviços estouraram em todo o país. Isso provocou aumento nos custos das empresas.
O ajuste fiscal:
O gasto público vem crescendo numa proporção de 4% a cada ano, enquanto que o PIB cresce até a 2,5%.

Vem aí mais ajustes fiscais, uma vez que o governo federal necessitará equilibrar o seu orçamento.
Portanto, suas vendas, bem provável, despencaram em função de todos os fatores acima expostos que influenciaram diretamente no consumo, sem contar é lógico, com o aumento de novas empresas, com isso, o lucro vem sendo achatado e em muitos casos já sumiu!

Pior ainda é que muitos empresários continuam insistindo em encontrá-lo!

O orçamento das empresas não tem o privilégio de realizar “ajustes fiscais”, portanto, todo empresário tem o compromisso de realizar o seu “ajuste orçamentário”, a lógica é simples: se ganha menos tem que gastar menos!

Estes foram os aprendizados em 2013, sentindo “na pele” o arroxo da economia, estratégica ou intuitivamente o mercado ajustou o seu gasto… e tem que continuar ajustando mais ainda!

Próximo passo é tirar proveito desse aprendizado para planejar um 2014 pelo menos, menos impactante ao lucro da empresa!

Pense nisso!

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