BRICS é um agrupamento econômico atualmente composto por cinco países: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Não se trata de um bloco econômico ou uma instituição internacional, mas de um mecanismo internacional na forma de um agrupamento informal, ou seja, não registrado burocraticamente com estatuto e carta de princípios.

O que era, no início, apenas uma classificação utilizada por economistas e cientistas políticos para designar um grupo de países com características econômicas em comum, passou, a partir de 2006, a ser um mecanismo internacional. Isso porque Brasil, Rússia, Índia e China decidiram dar um caráter diplomático a essa expressão na 61º Assembleia Geral das Nações Unidas, o que propiciou a realização de ações econômicas coletivas por parte desses países, bem como uma maior comunicação entre eles.

A partir do ano de 2011, a África do Sul também foi oficialmente incorporada ao BRIC, que passou então a se chamar BRICS, com o “S” maiúsculo no final para designar o ingresso do novo membro: South África.

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Nos dias 14 e 15 de julho desse ano, aconteceram em Fortaleza importantes reuniões que tiveram talvez como principal consequência a institucionalização dos BRICS. Se desde a sua criação os BRICS tinham passado de uma sigla a um importante elemento de coordenação nos temas relevantes da política internacional e da atuação em fóruns como o FMI, o BIRD, a OMC, o G-20, e outros, a partir de Fortaleza, em particular com a criação do Acordo Contingente de Reservas e do Novo Banco de Desenvolvimento, deram um importante salto institucional de organização que os obrigará daqui para frente a estreitarem ainda mais suas relações e sua convivência estratégica.

No que se refere aos dois principais pontos definidos, o Acordo Contingente de Reservas tem como principal objetivo criar mais uma barreira de proteção financeira contra eventuais turbulências internacionais e ataques especulativos. É importante apontar que desde o segundo semestre de 2012, ao menos quatro dos países do grupo (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul) têm sido submetidos a flutuações bruscas nos valores de suas moedas causados em especial por movimentos de saídas de divisas, em função da volatilidade crescente da economia internacional explicada por mudanças na política monetária dos EUA apontando o fim do chamado “quantitative easing” (expansão monetária), tensões diversas na geopolítica mundial (em particular no Oriente Médio e Ucrânia, mas também geradas por processos políticos nacionais em países emergentes) e flutuações bruscas no preço de commodities agrícolas, minerais e energéticas (nas quais Rússia, África do Sul e Brasil baseiam, de distintas formas, suas exportações). Assim, o estabelecimento do Acordo pode ser visto, resumidamente, como um consórcio de reservas pelo qual os países membros se defendem de movimentos eventuais contra um deles ou, ainda, como um acerto no qual a China, detentora de reservas de mais de US$ 1 trilhão, coloca parte de suas reservas para defender eventualmente os parceiros nos BRICS contra turbulências financeiras, sob algumas condições.

 

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