As razões por trás dos movimentos de internacionalização de cooperativas agropecuárias são, em geral, as mesmas que motivam a internacionalização de outras empresas. Entre elas pode-se citar: necessidade de crescimento continuado, ganhos de escala, fortalecimento da competitividade, diversificação de mercados e presença direta em mercados importantes.

No sistema cooperativista existe o chamado “duplo papel do cooperado”, fato do trabalhador ser, também, proprietário dos recursos produtivos. Esse fato induz o cooperado a estruturar sua atividade produtiva como um empreendedor e, ao mesmo tempo, participar de uma sociedade gerida pelos princípios da cooperação. Nos casos em que a gestão é realizada pelos próprios cooperados, a cooperativa acaba perdendo algumas vantagens provenientes da existência de uma área dedicada, exclusivamente, à gestão profissional do negócio.

O “duplo papel do cooperado” adquire especial importância quando as cooperativas crescem, evoluindo para organizações com grau elevado de complexidade. Nesse caso ocorre o fenômeno de separação entre a propriedade e a gestão da cooperativa, típico de organizações complexas que demandam estruturas especializadas de gestão e controle. A não separação entre propriedade e gestão induz à perda de eficiência nos dois processos. Assim, a gestão de uma cooperativa por um cooperado tende a perder eficiência à medida que o empreendimento cresce.

Uma visão ampliada sobre todos os elos da cadeia de negócios é fundamental. Não basta produzir com eficiência e qualidade. É preciso saber, exatamente, como ocorrerão as etapas de beneficiamento ou industrialização do produto (se houver), seu transporte e distribuição até a chegada ao consumidor final, pois é para ele – unidade constituinte do mercado – que deve estar voltado o foco da atividade cooperativada.

A cooperativa pode optar, em um primeiro momento, em desenvolver parcerias com agroindústrias, empresas de logística ou traders. Essa parceria, entretanto, deve pautar-se por um acordo contratual que seja benéfico para todas as partes, garantindo segurança jurídica e estabilidade nas relações. O consórcio é um instrumento bastante interessante nesse sentido.

À medida que o empreendimento se amplia a cooperativa pode começar a realizar muitas dessas etapas por conta própria.

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As cooperativas devem atuar de acordo com os sete princípios internacionais do cooperativismo, definidos pela Associação Cooperativa Internacional – ACI. São eles:

  • Adesão voluntária e livre
    As cooperativas são organizações voluntárias abertas, sem discriminação  social, de gênero, racial, política ou religiosa.
  • Gestão democrática e livre
    As cooperativas são organizações democráticas controladas pelos seus  membros que participam, ativamente, na formulação das suas políticas e na tomada de decisões. Homens e mulheres, eleitos como representantes dos      demais membros, são responsáveis perante os mesmos.
  • Participação econômica dos membros
    Os membros contribuem para o capital das cooperativas e controlam-no  democraticamente. Parte desse capital é de propriedade comum da cooperativa. Os membros destinam as sobras aos seguintes propósitos:  desenvolvimento das cooperativas, possibilitando a formação de reservas; retorno aos sócios na proporção de suas transações com as cooperativas; e apoio a outras atividades aprovadas pelos membros.
  • Autonomia e independência
    As cooperativas são organizações autônomas, de ajuda mútua controladas  pelos seus membros.
  • Educação, formação e informação
    As cooperativas promovem a educação e a formação dos seus membros, representantes eleitos administradores e funcionários, de forma que estes possam contribuir eficazmente para o seu desenvolvimento.
  • Intercooperação
    As cooperativas atendem seus membros de forma mais eficaz e fortalecem o movimento cooperativo trabalhando juntas através de estruturas locais, nacionais, regionais e internacionais.
  • Interesse pela comunidade
    As cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentável das suas comunidades através de políticas aprovadas pelos membros.
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