Desinteresse foi o que prevaleceu na eleição do Parlamento Europeu no último final de semana. Os europeus precisam reaprender a valorizar as conquistas históricas da União Europeia. O resultado na verdade é o que vinha sendo esperado. A tendência é de que o próximo Parlamento Europeu seja ainda mais fragmentado do ponto de vista político do que já era até agora. Extremistas de esquerda, de um lado, mas principalmente de direita, de outro, irão ocupar com muita força os assentos em Estrasburgo na França, que é a sede oficial do Parlamento Europeu.

O número de votantes até aumentou, mas na maioria dos casos quem saiu ganhando com isso foram justamente os eurocéticos, que veem a União Europeia de forma crítica, o interesse dos cidadãos europeus pela União Europeia é muito baixo, apesar de os partidos terem claramente se esforçado para motivar os eleitores.

Apesar das bancadas antieuropeias, o que tranquiliza é que o Parlamento Europeu, que conta com 751 membros, vai continuar operacional. Os Parlamentares almejam apenas ser a voz dos descontentes em vez de realizar projetos comuns. Em contrapartida, os partidos pró-europeus de centro se verão forçados a unirem-se ainda mais e os extremistas não representarão uma verdadeira ameaça, pelo menos não no Parlamento Europeu.

Muito desse cenário cravado por partidos que se opõem à união das 28 nações é apoiado em votos de protesto contra a fraca e demorada resposta à crise econômica nos países europeus.

O que chama a atenção, é a apatia entre os eleitores, ou melhor, entre os não-eleitores, que aumentaram em toda a Europa. Para a grande maioria, as conquistas sem precedentes da cooperação europeia parecem ter se tornado tão óbvias que elas serão automaticamente perpetuadas: paz, viagens sem fronteiras, livre opção para trabalhar e estudar, moeda única, mercado interno livre.

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Mas essas conquistas não são nada óbvias e podem perder-se novamente. É preciso lutar sempre por elas.  O exemplo da crise da dívida europeia evidenciou o quão rapidamente pode ser quebrada uma ordem aparentemente irrefutável. A UE estava à beira do abismo. De certa forma, essa crise foi superada, mas só devido ao esforço conjunto, a cooperação e disciplina. Se cada país tivesse buscado por si uma saída individual para a crise, todos teriam perdido, inclusive as economias mais fortes. Será que isso já faz tanto tempo que não pode mais servir de lição?

O que está em jogo na Europa também vem à tona na crise da Ucrânia: 25 anos após o fim da Guerra Fria, corremos o risco de entrar em um novo e duradouro conflito.

O fato de a Ucrânia quase não ter tido importância nas campanhas para as eleições europeias é surpreendente. Pois a UE é o melhor exemplo do que podem alcançar o equilíbrio pacífico e a cooperação.

Os primeiros resultados oficiais nas 28 nações do bloco mostraram que partidos pró-europeus de centro-esquerda e centro-direita mantiveram controle de cerca de 70 por cento dos 751 assentos no parlamento, mas o número de membros eurocéticos irá mais que dobrar.

Vamos aguardar e ver como a Europa vai reagir a este resultado e também como os outros Blocos ao redor do mundo se comportarão daqui pra frente, afinal o Bloco europeu sempre serviu de exemplo para formação dos outros Blocos ao redor do mundo.

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